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15/10/2014

Estado Islâmico admite venda e escravização de população yazidi

Rodi Said Yazidis fogem do Iraque em direção à Síria após ataques do EI nas montanhas de Sinjar BAGDÁ - O grupo extremista Estado Islâmico (EI) admitiu pela primeira vez que mulheres e crianças yazidis capturadas no Norte do Iraque são entregues como escravas para os seus combatentes como 'prêmios de guerra'. Anúncio foi feito na revista 'Dabiq', publicada pelo grupo para propagar suas ideias, e segundo EI o princípio da escravidão estaria baseado em preceitos religiosos.

A informação veio à tona após a organização internacional Human Rights Watch afirmar, no domingo, que centenas de yazidis estão presos em cativeiros improvisados controlados pelo EI no Iraque e na Síria. A minoria, que pratica uma religião sincretista, vive principalmente na região do Norte do Iraque e foi obrigada a abandonar suas casas em consequência da ofensiva jihadista. Os yazidis fugiram para as montanhas Sinjar, onde ficaram encurralados após ataques do EI em agosto. Houve um massacre na região e não há notícias sobre o paradeiro de milhares de pessoas.

'Após a captura, as mulheres e crianças foram divididas, segundo a sharia, entre os combatentes do Estado Islâmico que participaram das operações de Sinjar', afirma o texto da revista intitulado 'A recuperação da escravidão antes da hora'. Segundo a publicação, ao escravizar pessoas acusadas de professar uma crença religiosa desviada, o EI restaurou o sentido original de um preceito da sharia, a lei islâmica. A reportagem acrescentou que muitas famílias yazidis também foram vendidas para os soldados do EI.

Em depoimento à Human Rights Watch, uma mulher disse ter visto um grupo de combatentes do EI comprando meninas. Uma adolescente também afirmou que foi vendida por U$ 1.000 (cerca de R$ 2.400). A Associated Press também entrevistou mulheres e crianças yazidis que escaparam do cativeiro, e muitas delas afirmaram que foram vendidas a soldados no Iraque e na Síria, onde o EI proclamou, no dia 29 de julho, a criação de seu califado.

De acordo com a organização terrorista, muitas mulheres foram obrigadas a casarem-se com seus combatentes, além de terem transformadas em escravas sexuais e forçadas a se converterem ao islamismo. O Ministério dos Direitos Humanos do Iraque já havia afirmado que centenas de mulheres yazidis tinham sido sequestradas pelo EI.

Fonte: Agência Globo