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15/10/2014

Moscou afirma que não se calará sobre crimes militares na Ucrânia

O Conselho se reuniu hoje em Moscou, contando com a presença do presidente Vladimir Putin. A maior parte da agenda foi dedicada à situação catastrófica em que se encontram os civis residentes das zonas do sudeste ucraniano, abrangidas pela operação punitiva.

Moscou tem declarado que não permitirá “silenciar” ou “esquecer” os crimes perpetrados pelo Exército ucraniano e pela Guarda Nacional, insistindo em que seja efetuada uma investigação completa e exaustiva dos crimes nas regiões de Donetsk e Lugansk.

“Os acontecimentos na Ucrânia puseram a nu uma crise de larga escala do Direito Internacional, das normas básicas da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Convenção para a prevenção e repressão do crime de Genocídio”, frisou o líder russo:

“Somos testemunhas de duplos padrões na avaliação de crimes cometidos contra a população civil do sudeste da Ucrânia, na violação de direitos humanos fundamentais e de imunidade pessoal. Os habitantes locais estão sendo sujeitos a torturas e castigos cruéis e humilhantes, sendo alvo de discriminação, abusos e arbitrariedades. Lamentavelmente, muitas organizações de proteção de direitos humanos estão fazendo vista grossa aos acontecimentos e, de maneira hipócrita, voltam as costas às grosseiras violações”.

Em finais do ano corrente, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos irá viver tempos difíceis devido a uma autêntica vaga de demandas contra Kiev a serem apresentadas por habitantes do sudeste da Ucrânia que fugiram aos bombardeios, perderam seus familiares, ficaram sem teto, sem o emprego ou negócios e bens pessoais. No total são 800 mil pessoas.

Entretanto, o Exército e a Guarda Nacional continuam violando, de modo grosseiro, o direito humano fundamental – o direito à vida e, não obstante o cessar-fogo, têm alvejado cidades e vilas de Donbass, declarou o representante do MRE da Rússia para os direitos do homem, Konstantin Dolgov:

“Os peritos em Donetsk, incluindo os da OSCE, descobriram valas comuns que são horríveis provas das atrocidades cometidas por batalhões paramilitares. Se trata de vítimas civis. Foram encontrados os restos mortais de pelo menos 400 pessoas. Aquelas zonas de sepultamentos estiveram sob o controle da Guarda Nacional ultra-nacionalista. Tais crimes deverão ser esclarecidos e punidos”.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia já preparou dois Livros Brancos sobre os crimes militares de Kiev no sudeste da Ucrânia e os cometidos por nacionalistas em Odessa, Mariupol e outras cidades do país.

Se trata de um conjunto de provas fotográficas e gravadas em vídeo, depoimentos prestados por milhares de testemunhas oculares.

As principais conclusões destas duas edições dizem respeito à violação em massa dos direitos humanos. As pessoas são raptadas e levadas para locais desconhecidos sem culpa formada, elas são roubadas e mortas. Os órgãos de segurança pública não fazem nada, estão inativos. O governo vem instigando o ódio racial e o genocídio de muitos milhões de pessoas da população russófona, que fazem parte do povo ucraniano.

O Comitê de Investigações da Rússia intentou processos penais contra o ministro do Interior da Ucrânia, Arsen Avakov, o oligarca Igor Kolomoisky e dezenas de militares, comandantes da Guarda Nacional e batalhões paramilitares.

A delegação russa na APCE tenciona apresentar uma declaração especial que será dedicada aos crimes militares cometidos na Ucrânia pelas autoridades de Kiev.

Fonte: Voz da Rússia