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26/11/2014

Integração regional é saída para América Latina enfrentar crise, diz ministro chileno

A economia mundial, após a crise de 2008, está se estruturando em função de microrregiões altamente integradas, o que exige maior unidade entre os países interessados em zelar pelos interesses comuns da América Latina, a fim de avançar rumo a um desenvolvimento sustentável e inclusivo na região, afirmou nesta segunda-feira (24) o ministro das Relações Internacionais do Chile, Heraldo Muñoz.

Por isso, acrescentou ele, é preciso aprofundar o comércio intrarregional entre a América Latina e o Caribe e aumentar a ainda escassa presença desses países nas cadeias globais de valor. As afirmações do ministro foram feitas durante o encontro entre representantes do Mercosul e da Aliança Pacífico, no Centro Cultural Gabriela Mistral (GAM), em Santiago, no Chile.

O país sedia o seminário “Diálogo sobre Integração Regional: Aliança do Pacífico e Mercosul”, que dá sequência à reunião entre chanceleres dos Estados-parte dos dois blocos, realizada em 1º de novembro, em Cartagena das Índias, na Colômbia.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil , Luiz Alberto Figueiredo Machado, participou do primeiro painel do seminário, ao lado dos chanceleres de outros países. O encontro ministerial também conta com a presença de representantes de diversos organismos internacionais, do empresariado e da sociedade civil das nações envolvidas neste processo. Na ocasião, Figueiredo destacou a importância da convergência entre os dois blocos, acima das diferenças econômicas e comerciais.

Segundo o Itamaraty, o fluxo de comercial entre os países do Mercosul e da Aliança do Pacífico alcançou US$ 52 bilhões em 2012. Os investimentos entre os países dos blocos são expressivos. Em 2013, o Brasil investiu US$ 14,1 bilhões junto aos países da Aliança do Pacífico, ao passo que o conjunto dos países da Aliança investiu US$ 3,5 bilhões no Brasil. 

O Mercosul busca a integração aduaneira de serviços e fatores produtivos entre Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela. Já a Aliança do Pacífico propõe uma estratégia de integração conformada por Chile, Colômbia, México e o Peru, com perspectivas de uma saída pelo Oceano Pacífico rumo também a mercados asiáticos. 

Bachelet diz que momento é “histórico” 

Para a presidenta do Chile, Michelle Bachelet, que abriu o encontro, esse é um “momento histórico, em que dois processos de integramo a Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal) e a Associação Latino-Americana de Integração (Aladi). 

Diálogo para destravar economia

O chanceler chileno Heraldo Muñoz acrescentou que, neste momento, é preciso preservar o diálogo [econômico], em um contexto em que a economia mundial não consegue recuperar o dinamismo dos anos anteriores à crise de 2008. “Vemos um estancamento na Zona do Euro, uma recessão no Japão e, ao mesmo tempo, uma recuperação insuficiente dos Estados Unidos”, destacou.

Segundo ele, a expansão da China também é afetada por fatores internos e externos, “caem os preços dos produtos básicos que nossa região exporta e a menor disponibilidade de liquidez [dinheiro] encarece nosso financiamento externo”. O comércio mundial também vem se arrastando, mostrando uma expansão média anual baixa desde 2012, alertou.

Para ele, a integração entre os dois blocos não é uma opção, mas uma necessidade e, para que ocorra, é imperativo construir pontes entre as diferentes iniciativas de integração regional, como o Mercosul e a Aliança do Pacífico.   

Participação da América Latina 

O evento teve grande participação de chanceleres e representantes de Comércio Exterior dos países da América Latina, como Héctor Timerman, ministro de Relações Exteriores da Argentina; José Antonio Meade, secretário de Relações Exteriores do México; Gonzalo Gutiérrez, chanceler do Peru; Eladio Loizaga, do Paraguai; Luis Almagro Lemes, do Uruguai; e Carlos Raúl Morales Moscoso, da Guatemala, representando também os países do Caribe. 

Na área econômica, estavam presentes o secretário de Economia de México, Ildefonso Guajardo; Gustavo Leite Gusinski, ministro da Indústria e Comércio do Paraguai; Magali Silva, ministra do Comercio Exterior e Turismo de Peru; Carlos Alberto Bianco, vice-secretário de Relações Econômicas Internacionais da Argentina; Carlos Arturo Morales, vice-ministro de Assuntos Multilaterais da Colômbia; e o diretor-geral de Relações Econômicas Internacionais (Direcon) do Chile, Pablo Urria. 

Fonte: Portal Brasil